
Já faz tanto tempo que eu tento tirar de mim o que está aqui dentro, travado, sozinho e esquecido. Faz meses que tento descobrir uma nova forma de me expressar e, enfim, me sentir produtiva. Sabe, experimentar o que está em alta, o que pode me levar pra frente. Talvez um canal, um podcast, ou até mesmo alguns TikToks.
A vontade de transformar minhas criações em um trabalho fixo, onde eu poderia usar o meu precioso tempo a meu favor, me fez não criar nada nos últimos anos.
Enquanto pensava em criar, foquei na ideia de que precisava descobrir uma nova forma de me expressar, porque o que eu fazia já não parecia tão interessante assim.
E, quase sem perceber, essa vontade de criar trouxe junto a frustração de não entender nada do que eu estava fazendo. Por mais simples que pareça, encontrar a própria forma de criar está totalmente ligado a quem você é, e eu estava tentando ser algo que não era.
Eu, que muitas vezes sou confundida com uma pessoa extrovertida pelos meus amigos, sempre tive dificuldade em me comportar como eles. Sabe, sentar numa mesa e me sentir parte da conversa de forma natural, sem precisar de um esforço maior para compreender o que está ao meu redor e simplesmente participar.
Eu, que tantas vezes sem entender de fato qual era o meu lugar, aprendi no meu próprio silêncio a falar com as minhas mãos. Encontrei nas palavras, nos textos e nos meus poemas, algo que se parecia comigo.
E, junto com essa descoberta, vieram tantas expectativas.
Eu tinha aprendido a falar comigo mesma no papel.
Mas, como uma boa sonhadora, essas mesmas palavras começaram a se transformar em planos de ação, temas para novos textos, etapas de projetos, testes em entrevistas de emprego, artigos, textos publicados… e, logo que percebi, essa descoberta tinha me levado para uma rotina que tinha tudo, menos o prazer de criar.
E também como uma boa ansiosa, a realidade das primeiras tentativas não ser como mostram nos filmes me assustou. Acabei isolando o que mais gostava no criar, guardando lá dentro de mim, de um jeito que eu quase não sentia falta.
Era mais fácil me jogar por inteiro em uma nova fase de descobertas, de forma leve, e evitar as quedas que pareciam previsíveis. Tentei algumas vezes voltar com um blog, mas como ainda estava muito apegada à ideia de ser incrivelmente relevante e mudar o mundo com minhas criações, deixei mais uma vez de lado.
Quando olho pra trás e percebo que a imaturidade me fez diminuir a importância da escrita na minha vida, acho até engraçado.
A partir daí, foram anos sem escrever.
Anos tentando encontrar uma nova maneira de colocar pra fora o que existe em mim.
Novos projetos, ideias, testes, todos com uma sensação de desconforto por não se parecerem comigo.
Mas então… por que deixei de escrever e achei que precisava de uma nova forma de criar? Talvez porque ninguém mais tenha blog (ou leia esse tipo de coisa), ou porque, na minha experiência como redatora, fiquei traumatizada por nunca ter aprendido a usar a vírgula no lugar certo rs.
Antes de escrever esse texto, usei minha folga do mês para tentar gravar alguns vídeos de UGC e testar uma nova forma de criar. Coloquei uma música, me sentei no chão, de frente para o espelho, comecei a me maquiar… e, quando finalizei, vestindo algumas roupas, eu já estava arrependida.
Quem eu estava tentando parecer? Quem eu estava tentando ser?
Voltei ao pijama, lavei o rosto, coloquei meus óculos e comecei a escrever.
Eu gosto de ser eu mesma. Gosto de fazer coisas que se parecem comigo.
Sendo um ou cem motivos, achei que precisava de uma versão 2.0 de mim mesma para criar algo relevante e esqueci que a criação vem de dentro, de quem somos e de como nos conectamos com o nosso mundo.
A minha forma sempre foi a escrita. Sempre foi entender meu coração, meus sonhos e desafios por meio das minhas mãos que, por vezes, trabalharam incansavelmente para me dar um pouco de paz. A elas, sou eternamente grata. Tenho dedos mais ferozes que qualquer boca que grita alto, mais rápidos que qualquer atalho que já tentei pegar na vida, e mais atentos do que muita gente.
Como é libertador voltar a fazer algo que me conecta com a minha essência.
Pra mim, sempre foi a escrita. Desde pequena. Pra você, pode ser a música, a culinária, a pintura…
Podem ser tantas coisas que fazem o nosso mundo se parecer um pouco mais com a gente.
E nesse mundo inovador, podemos nos sentir atrasados às vezes ou até mesmo achar que precisamos nos renovar o tempo inteiro para, quem sabe, encontrar um caminho de sucesso. Mas a verdade é que a vida real é como moldamos ser.
E a minha, quero que continue registrada nos meus pequenos e simples textos que sempre me ajudam a enxergar a beleza do ordinário e a grandeza de quem somos.
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