Como surgem as ideias – Frances Ha.

Greta Gerwing, atriz e roteirista de Frances Ha, conta em diversas entrevistas como o longo e divertido processo de desenvolvimento do roteiro nasceu de pequenas anotações, diálogos, momentos e características de personagens que guardava em seus rascunhos para que um dia pudesse transformar em algo. Com a agenda dedicada a atuação, Greta conta que sempre quis escrever porém tudo que começava não terminava por falta de tempo e até mesmo por medo.

Sua parceria com o diretor e roteirista Noah Baumbach começou em 2009 com uma troca de emails, onde seus diálogos se transformaram em cenário e uma história fragmentada ganhou vida. 

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O roteiro de Frances Ha começou parecendo pequenas pistas que você não sabe o que vai ser e onde vai chegar, mas que ao longo da criação vai tentando achar um link entre as coisas” explica como foi o processo que levou cerca de um ano para ser finalizado.

A dupla apresentou a nós, fãs de um bom romance sensível, a íntima história de Frances Halladay que busca seu próprio espaço aos 27 anos em Nova Iorque, a terra das oportunidades e sonhos. 

O filme levanta vários questionamentos importantes na transição para a idade adulta saber o que estamos fazendo, o que fazemos e quem somos e que se formos limitados a viver apenas uma das inúmeras formas de alcançar o que entendemos por sucesso, podemos perder chances reais de encontrar a felicidade.

Na trama Frances passa por todas as crises pessoais existentes e enfrenta todas elas com uma pitada de humor e sarcasmo, já que aos 27 anos se encontra solteira, distante de sua melhor amiga, endividada, sem uma carreira de sucesso e um lugar para morar. 

Sua trajetória de amadurecimento gira em torno de uma questão moral.

Abrir mão do grande sonho de viver da dança e não ser uma pessoa completamente feliz? Ou seguir em frente, aceitar seu destino, viver de um emprego chato e ser capaz de iniciar uma vida?

O que mais me encanta nesse filme é que de forma leve, Greta e Noah, conseguiram nos mostrar que o sucesso não está presente apenas naquilo que planejamos. 

A mídia, as propagandas e as pessoas nos vendem diariamente a ideia de que precisamos viver em busca de grandes realizações o tempo inteiro e que apenas quando as alcançamos, podemos nos considerar pessoas de sucesso.

Frances Ha mostra o contrário. 

O crescimento e as frustrações da personagem fazem parte de uma fase bem sucedida. A independência conquistada em meio a tanta insegurança a fez enxergar que entre a fantasia de uma vida planejada e o medo de uma vida miseravelmente infeliz, existe a vida real, que é cheia de possibilidades e prazeres.

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Frances encontra um jeito de fazer sua arte, de expressar sua paixão e de ser feliz mesmo não sendo da forma que como inicialmente imaginava. Mas todo seu caminho foi preciso, porque só assim foi capaz de sentir a vida e encontrar a si mesma.

Guardem seus rascunhos, compartilhem suas paixões e criem um mundo de oportunidades.

Frances Ha – 2013, está disponível na Netflix e se eu fosse você correria para assistir agora mesmo. 

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